Dia 22 de Agosto de 2006
“ Queria os livros do 10ºano da Escola…”. Já se devem ter apercebido que hoje fui comprar os livros. É uma coisa simples e que não tem nada de especial, contudo este ano é diferente pois a escola já não é a mesma, o ano de escolaridade já não é o mesmo, enfim… o tempo passou. É sempre a mesma coisa, quando chego a casa vou logo ver os livros. Este ano não foi excepção.
Debrucei-me sobre a secretária e, fui vendo página a página, livro a livro, até que chegou o de Língua Portuguesa, designado de “Entre Margens”. O nome e a aparência do livro não eram muito apelativos, pois mas como sabem a aparência engana. Fui folheando o livro até que mergulhei completamente no mundo do “faz de conta”,- a poesia. “Faz de conta”… é o que as palavras fazem na poesia, pois parecem que têm um significado, ou seja, “fazem de conta” que têm um significado, mas...
Acabei agora mesmo de encontrar um poema que diz tudo sobre as palavras, mas não te esqueças que na poesia, elas gostam de brincar ao “faz de conta”.
As Palavras
São como um cristal,

as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.
Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.
Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.
Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?
Eugénio de Andrade
Conseguiram perceber o poema? Acho que o poeta tenta dizer-nos que as palavras por vezes podem magoar, daí os versos: “Algumas, um punhal, um incêndio”; outras sabem tão bem que “são como um cristal”… Não percebi foi a última estrofe…, mas já sei que na poesia as palavras gostam de “brincar ao faz de conta”.
Não gosto de escrever poemas (também acho que nunca tentei…), mas adoro mergulhar nas palavras e tentar decifrá-las. Uma por uma.
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